RIMA – ESCOLHA DO LOCAL E TECNOLOGIA (4)

04/06/2009 11:18 am

IV – ESCOLHA DO LOCAL E TECNOLOGIA

A ESCOLHA DO LOCAL

Foram realizados estudos dos aspectos técnicos, econômicos, ambientais e sociais dos Estados e Municípios, para avaliar a viabilidade do empreendimento ao longo dos anos.

O Estado do Rio de Janeiro apresentou as melhores condições para a implantação do COMPERJ devido:

• à proximidade com a Bacia de Campos, que fornecerá matéria-prima;

• ao acesso fácil ao maior mercado consumidor de produtos da segunda geração, formado por São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro;

• à disponibilidade de infra-estrutura adequada, representada pelos terminais portuários, pela malha rodoviária e ferroviária;

• proximidade de diversas universidades, inclusive do Centro de Pesquisa Leopoldo Miguez de Mello – CENPES, responsável pelo aperfeiçoamento de grande parte das tecnologias que serão empregadas no empreendimento.

O COMPERJ processará 150 mil barris por dia de petróleo pesado do campo de exploração de Marlim, produzido na Bacia de Campos. A utilização dessa matéria prima não convencional para a produção de petroquímicos mostrou-se uma alternativa tecnológica, econômica e ambientalmente viável, inédita e desenvolvida no país.

Em 2005, partindo-se da escolha do Rio de Janeiro, foram, primeiramente, pré avaliadas diferentes alternativas locacionais:

• duas em Itaguaí,

• uma em Itaboraí,

• uma em Cachoeiras de Macacu,

• uma em São Gonçalo,

• duas em Campos dos Goytacazes.

Desta pré-seleção foram selecionadas três alternativas: Itaguaí, Itaboraí e Campos dos Goytacazes. A avaliação tomou como premissa uma área de terreno superior a 11 quilômetros quadrados, mínimo indispensável para acomodar o complexo. A área total para o complexo incluiu uma região para projetos de revegetação e recuperação ambiental de forma a proteger as comunidades próximas ao COMPERJ.

As avaliações contaram com visitas técnicas, entrevistas e levantamentos de informações. Foram consideradas ainda questões relativas a liberações de gases, fornecimento de água, efluentes, passivos ambientais e existência de áreas protegidas.

O estudo contemplou, dessa forma, informações básicas sobre os meios físico, biológico e socioeconômico de cada local, avaliando a inserção do projeto em cada contexto regional e consolidando os aspectos associados à sua implantação, permitindo a análise da sua viabilidade ambiental em cada local específico.

No caso de Itaguaí, apesar da proximidade ao Porto de Sepetiba, tiveram que ser considerados:

• presença de empreendimentos já instalados e em implantação (pelo menos duas grandes usinas siderúrgicas nos próximos anos);

• previsão de crescimento urbano, por conta dos investimentos associados ao porto;

• saturação iminente da bacia aérea por poluentes atmosféricos; restrições geotécnicas; •

• considerações jurídicas do processo de licenciamento nessa localização.

Assim sendo, foi descartada a alternativa Itaguaí.

Em relação ao Norte Fluminense, as maiores desvantagens são:

• problemas geofísicos;

• impactos negativos sobre os melhores cultivos de cana de açúcar;

• dificuldades e custos de implantação de um terminal portuário;

• distância em relação aos grandes centros consumidores.

A proximidade aos campos de petróleo para o crescimento da economia regional foi superada pelas desvantagens apontadas, levando ao abandono desta alternativa.

Acrescenta-se também que a implantação do complexo em Campos/Travessão conflitaria com uma fronteira econômica tradicional de cana-de-açúcar, interferindo com o plano de extensão e reativação do álcool na região (etanol).

Do ponto de vista logístico, as alternativas Itaguaí e Itaboraí eram as que possuíam a melhor viabilidade, devido à malha portuária e rodoviária existente, e a proximidade aos mercados consumidores de São Paulo, principal centro urbano-industrial do País.

Em termos ambientais, as alternativas de Campos/Travessão e Itaboraí também mostraram-se viáveis. Apenas Itaguaí apresentou restrições relacionadas à qualidade do ar, que impossibilitariam, inclusive, a expansão do empreendimento.

Itaboraí foi considerada a localização mais adequada por:

• possuir área modificada em processo de degradação, sem grandes restrições geotécnicas, que poderiam acolher o empreendimento sem maiores danos ambientais;

• esta área não possui concentração de poluentes no ar, pois o seu relevo e correntes do vento contribuem para a dispersão, minimizando impactos diretos e indiretos na qualidade do ar;

• existência de tubos para abastecimento e escoamento de produtos;

• a histórica carência da água na região foi identificada como oportunidade para que o empreendimento contribua para a construção de soluções técnicas e políticas para o bem comum;

• dispor de infra-estrutura logística adequada, a ser potencializada pelo Arco Metropolitano;

• proximidade com outras petroquímicas;

• possuir área disponível para uma já prevista expansão do Complexo;

• apresentar um caráter estratégico para a recuperação da economia da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, e da sua porção leste em particular;

• dispor de mão-de-obra carente de oportunidades, e que será capacitada para inserção no empreendimento e nas empresas que surgirão.

O ENDEREÇO DO FUTURO

O COMPERJ estará localizado no distrito de Porto das Caixas, no município de Itaboraí, nos limites com os Municípios de Cachoeiras de Macacu e Guapimirim.

O empreendimento será construído em um terreno com uma área total de 45 quilômetros quadrados, com a área industrial ocupando 26% da área total. Este terreno é constituído de pastos e culturas agrícolas, enfraquecidas e mal conduzidas. Sua vegetação apresenta fragmentos florestais e sinais claros de erosão. Os rios estão em grau avançado de assoreamento e as matas ciliares estão degradadas.

O ACESSO AO EMPREENDIMENTO

Será realizado por uma estrada a ser construída a partir da Rodovia BR-493, no distrito de Itambi. O objetivo é permitir uma ligação mais direta e curta, a partir do centro da localidade de Itaboraí, Porto das Caixas, Venda das Pedras e outras localidades junto à BR-101.

Por conta do número elevado de caminhões e a necessidade de oferecer condições de operação com nível de segurança, a Petrobras irá construir uma estrada que atenda às normas internacionais de segurança, com duas faixas de tráfego para caminhões.

Além do acesso principal, foram verificadas as condições para implantação de outros caminhos ao COMPERJ, permitindo a sua ligação a outras rodovias e/ou núcleos urbanos. A função principal seria facilitar o ir e vir de trabalhadores e também como vias de serviço durante a fase de implantação.

A estrada de acesso secundário do COMPERJ já existe e será alterada, conforme as normas de segurança da Petrobras. Esta estrada é originária da RJ-116 e permitirá a ligação da área do complexo com as localidades de Sambaetiba, Papucaia e adjacências.

Matriz Comparativa das Alternativas Locacionais Relativas ao COMPERJ

Conclusões

Travessão

Itaguaí

Itaboraí

Técnico-econômica

Viabilidade da implantação do projeto. Custo de implantação superior ao das demais alternativas avaliadas. Permite futuras expansões

Viabilidade da implantação do projeto. Custo de implantação superior a Itaboraí. Não permite futuras expansões

Viabilidade da implantação do projeto. Apresenta o menor investimento nominal. Como na região não tem atividade industrial, permite expansões futuras (mais receita e empregos)

Ambiental

Possibilidade de implantação na área selecionada

Análise de viabilidade ambiental revela problemas na qualidade do ar

Possibilidade de implantação na área selecionada

Logística

Necessidade de maiores investimentos. Dificuldade na logística de recebimento e escoamento de produtos e matérias primas, quando comparado às demais alternativas

Boa situação em termos de logística

Boa situação em termos de logística

Considerando que a planta industrial ocupará apenas parte do terreno e que a área está em franca degradação, o projeto do COMPERJ prevê o replantio de mudas de mata atlântica para a recomposição da vegetação nas demais áreas do terreno, num projeto chamado Corredor Ecológico.

FORNECIMENTO DE ÁGUA

O fornecimento de água para o COMPERJ ainda está em estudo. Será posteriormente definido, com participação do Poder Público e da população local, com base na avaliação técnico-econômica e ambiental das seguintes alternativas:

Águas do rio Guandu

Esta alternativa prevê a captação de água em um ponto do rio Guandu, ou no reuso de águas da própria estação de tratamento, localizada em Seropédica.

Reservatório de Ribeirão das Lajes

O reservatório é utilizado para produção de energia e para o abastecimento das cidades do Rio de Janeiro, Paracambi e Seropédica.

Rio Paraíba do Sul

Essa alternativa captaria águas do rio Paraíba do Sul em um ponto logo a jusante das desembocaduras dos rios Paraibuna e Piabanha.

Reservatório do rio Guapiaçu

Uma eventual construção de uma barragem-reservatório no vale do rio Guapiaçu é uma alternativa com grande volume de água, e, portanto, estratégica para o governo estadual, pois essa bacia hidrográfica é a única que ainda tem área preservada, sem ocupação.

Reservatório de Juturnaíba

Essa alternativa de abastecimento do empreendimento e reforço da região circunvizinha seria feita por 68 quilômetros de adutora na faixa de servidão da via férrea e da rodovia BR-101 até chegar ao COMPERJ.

Outras duas opções para abastecimento de água (reuso de esgotos tratados e uso de água salgada) foram analisadas, mas apresentaram dificuldades técnicas para sua execução.

A TECNOLOGIA

Cada unidade de processo mereceu uma avaliação das opções tecnológicas disponíveis dentro da própria PETROBRAS e no mercado nacional e internacional, realizada a partir de critérios préestabelecidos.

As seguintes etapas foram seguidas para seleção de tecnologia dos processos utilizados no projeto do COMPERJ:

1 – Estabelecimento das premissas do empreendimento em termos de carga e produtos, incluindo as especificações e restrições de qualidade e/ou operação, custos etc.

2 – Listagem das opções tecnológicas disponíveis, considerando:

• quantidade produzida;

• qualidade dos produtos;

• aspectos ambientais – com base nos princípios do desenvolvimento sustentável;

• capacidades de produção mínima e máxima;

• necessidade e disponibilidade de utilidades;

• aspectos relacionados à Segurança, Meio Ambiente e Saúde;

• espaço requerido;

• custo operacional e de investimento;

• confiabilidade;

• necessidade de manutenção e sua complexidade;

• necessidade de licenciamentos;

• pagamento de royalties;

• tempo mínimo para implantação;

• grau de conhecimento e experiência da tecnologia

3 – Discussão dos critérios para priorização e escolha, como viabilidade técnica, custo, prazo, grau de maturidade da tecnologia.

4 – Seleção da tecnologia, com base em uma matriz comparativa contendo as opções potencialmente interessantes e os critérios de priorização e escolha.

Definição da tecnologia para UPB (Unidade de Petroquímicos Básicos)

A produção de olefinas leves (eteno e propeno) foi determinante na definição da configuração do complexo. No mundo, esta produção está dividida entre a tecnologia predominante (pirólise) e a utilização de processo de craqueamento catalítico em leito fluidizado modificado (FCC).

Os estudos iniciais consideraram a alternativa de pirólise como opção a um FCC petroquímico somente. No entanto, a comprovação das tecnologias comercialmente disponíveis aliada à utilização de uma quantidade de quatro a cinco vezes menor de petróleo para a mesma quantidade de petroquímicos a serem produzidos no COMPERJ levou à decisão de utilizar as duas rotas tecnológicas possíveis : FCC petroquímico e pirólise. A partir daí, foi desenvolvida a configuração da UPB.

Estas unidades serão licenciadas junto a empresas internacionais que detenham tecnologia de ponta. Em relação às tecnologias de produção das UPA, merece ser mencionada a associada às produções de polietilenos e polipropilenos, que não utiliza solventes (que geram efluentes).

Definição da tecnologia para Unidades Auxiliares de Processo

Para as unidades auxiliares de processo, foram consideradas as tecnologias mais avançadas comercialmente disponíveis.

Definição da tecnologia para Unidades de Utilidades

Para as unidades de Utilidades – tratamento de água bruta e efluentes e geração de vapor/energia – foram consideradas as tecnologias mais avançadas comercialmente disponíveis.

As caldeiras de vapor que integram o sistema de utilidades representam a principal fonte de emissões atmosféricas do COMPERJ. Os estudos deverão indicar as tecnologias de controle dos poluentes atmosféricos. A utilização destas tecnologias garantirá a viabilidade ambiental do empreendimento.

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postado em Comperj

2 respostas a “RIMA – ESCOLHA DO LOCAL E TECNOLOGIA (4)”

    Nicholas Locke

    Caros
    Fico triste em ler que o abastecimento provavel de agua para o COMPERJ seja da bacia de Guapiaçu. O governo do estado de Rio de janeiro atraves da FEEMA apresentou um plano diretor de recursos hidricos ao Comité das bacias da zona leste da Bahia Guanabara para a construção de 5 (Cinco) barragens menores com uma capacidade igual desta obra grande. Esta barragem grande alem de inundar quase 3000 ( tres mil) hectares da melhor terra do estado de Rio de janeiro irá displaçar varios comunidades e acabar com um meio de vida de muitas pessoas. Sejamos coerentes e estudemos estes cinco barragens menores com seu impacto social e ambiental muito menor para assegurar o trabalhador rural no campo e não na favela na porta do COMPERJ de Itaborai.

    Osmany Paiva

    Após a leitura do artigo acima, pude vislumbrar a real magnitude deste empreendimento audácioso.

    Logisticamente falando, a escolha por ITABORAÍ, fora de longe a mais sensata, diante das desvantagens das concorrentes, oferecendo também o menor custo de implanção, menor impacto ambiental.

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